segunda-feira, 20 de abril de 2009

Poesia Visual


Brasília, 49 anos.

A cidade (ainda) preserva beleza.
É, para mim, poesia visual.

Eu vejo, sim, a violência, os engarrafamentos, a precariedade do transporte urbano. Me entristeço com a decadência do ensino público, com a falta de atendimento nos hospitais. Mais do que ver, eu convivo com isso.

Mas observo, sobretudo, a imensidão do céu, a beleza do sol se pondo e a lua cheia podendo ser vista de qualquer lugar - num horizonte a se perder de vista. Aprecio a harmonia singular dos monumentos, das avenidas largas, das árvores que decoram toda a Capital. Sim, eu enxergo, reparo, reconheço esses aspectos porque eles diferenciam Brasília das demais cidades brasileiras.


Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. Se eu dissesse que Brasília é bonita veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia vêem nisso uma acusação. Mas a minha insônia não é bonita nem feia, minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. É o ponto e vírgula. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério.

(Clarice Lispector)




Brasília é Brasília.
Não existe qualquer cidade parecida.


Parabéns, Brasília!


PS: Mais fotos da Capital podem ser vistas no meu Flickr - http://www.flickr.com/photos/bia_vilela/

Um comentário:

Upiara B. disse...

Ficou feliz que você gostou, Beatriz. Vou te linkar também pra ter notícias de Brasília. Essa cidade me interessa.
=)